VIDRO, 2019



Ontem assisti Vidro, de um dos meus diretores favoritos, o indiano naturalizado norte americano M Night Shyamalan. Rapaz, vou dizer uma coisa que eu não ouvi de muitas pessoas: não gostei. 


Pra fazer essa análise, preciso voltar no tempo. Mais precisamente há dezenove anos atrás no lançamento de Corpo Fechado. O filme, com Bruce Willis e Samuel L. Jackson, foi um sucesso de bilheteria. Eu posso afirmar pra vocês que lembro muito bem do filme. E digo: o que salvou foi seu final, realmente surpreendente, um fato recorrente nos filmes do cultuado diretor. Achei um filme lento demais, algumas vezes até enfadonho. Mas o final com uma virada IMPRESSIONANTE deu vida ( pelo menos pra mim ) ao longa.


Conheço ( poucas ) pessoas que tiveram a mesma sensação que eu. Não foi culpa dos atores. As interpretações são sucintas e o filme é bem escrito. Mas seu ritmo é muito lento. Minha opinião, né? Fomos arrastados durante uma hora e quarenta e seis minutos para, apenas no final ( finzinho mesmo ) sermos salvos com aquele final apoteótico e insano. Méritos para a atuação do ator Samuel L. Jackson.


Então, dezesseis anos atrás, fiquei sabendo de um lançamento do diretor e fui assistir, meio timidamente, o filme Fragmentado. Vale lembrar que, após Corpo Fechado, o diretor fez Sinais ( FILMAÇO ) e colecionou alguns revezes na carreira, vide A Dama na Água e A Vila. Então, mais recentemente, vi A Visita e fiquei agradecido e extremamente surpreso com a qualidade da película, mesmo bem simples para um diretor desse naipe. Parecia, enfim, que ele tinha "voltado pra base".


Fragmentado é um bom filme. E só isso. Durante quase duas horas vemos um desfile de personalidades do ator James McAvoy, que interpreta em torno de doze personagens. Realmente uma boa interpretação. Nada além disso. Todos ficaram pasmos com o talento dele, que, quem já viu uma boa quantidade de filmes, sabe que ele não precisa provar nada a ninguém. Achei chato, desculpem. Ele não sustenta um filme. Mas, o filme me deixou boquiaberto como? A maior arte do diretor. As reviravoltas. 


Qual não foi minha surpresa em ver, mais uma vez no finzinho, a presença do personagem de Bruce Willis em Corpo Fechado, David Dunn. Fiquei empolgadíssimo com a sequência 
de pronto prometida pelo diretor. Seria fechar com chave de ouro um file tímido, de vinte anos atrás. Aguardei ansiosamente pelo desfecho. O meu diretor preferido, que salva todas as suas produções no final ( bem no finzinho mesmo hein ) em grande forma?


Vi ontem Vidro. Sabe qual é o mérito do filme? Resgatar o filho do Bruce Willis. O mesmo ator dezenove anos depois? Muito fodaaaaaa!! E o que mais? Ah! Tem o Samuel bisando seu Mr Glass do primeiro filme. E tem Bruce Willis num combate espetacular com a Fera, um dos alter egos de MacAvoy. Tirando isso, achei o diretor pretensioso. Quis dar uma dimensão ao filme dele que não existe. Corpo Fechado é um bom filme. Mas não é um clássico do naipe de Sexto Sentido. Fragmentado também. Vidro, nem com o desfecho pretensioso do diretor se salva. 


O diretor voltou a sentar em cima do seu comodismo e fez um filme pra fazer sucesso entre os espectadores menos exigentes. Com uma direção preguiçosa, ele continua a ( tentar ) imitar o mestre Hitchcock com a máxima " mostrar menos para o espectador criar o terror dentro de si". Isso ele fez em A Visita, antes mencionado. Por que deu certo então? Por um simples motivo: A Visita é um filme despretensioso, com ares de diversão. Ele não se leva tão a sério, como essa trilogia. 

RR


























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