A GAROTA DO TREM, 2016
A Garota do Trem é um filme que gera muitas discussões. Ainda bem! Filme é pra fazer pensar, discutir, entreter. Nada contra os filmes que "não passam mensagem", como essas comédias non sense. A função deles é divertir. Esse, a função é nos fazer olhar pra nossa vida em pensar um pouco a respeito.
Rachel Watson ( Emily Blunt ) é uma mulher divorciada que, no trajeto do trabalho, observa as belas casas margeando a linha férrea. Durante muitos meses, ela acompanhou o casal Megan e Scott Hipwell ( Haley Bennet e Luke Evans ). Da sua poltrona do trem, ela via quase todo dia o casal aos beijos, ou fazendo churrasco, simplesmente curtindo sua a vida a dois.
Um dia ela vê algo fora do script da felicidade. Algo na varanda não bate com a realidade e ela passa a suspeitar de sua própria sanidade. Com problemas de alcoolismo, ela conta apenas com apenas com a ajuda da irmã Cathy ( Laura Prepon ). O problema aumenta quando Megan desaparece, e as suspeitas acabam caindo sobre Rachel, que não tem álibi, e não se lembra de nada da noite anterior.
Na mesma rua de Megan, mora Tom e Ana Watson ( Justin Theroux e Rebeca Ferguson) ex-marido de Rachel e sua atual esposa. Com Megan ainda sumida, ela se aproxima de Scott afim de informar a visão que teve na varanda, um pouco antes de Megan desaparecer. Relutante, Scott passa a investigar a partir da dica de Rachel e Tom, seu ex-marido, não gosta nada dela frequentando sua vizinhança.
O diretor Tate Taylor nos trás uma reflexão sobre o comportamento controlador das pessoas em um relacionamento. No Google, gaslight é uma forma de abuso psicológico, em que o interessado distorce informações fazendo o "acusado" ter dúvidas sobre sua própria sanidade colocando em dúvida sua capacidade de percepção. Em resumo, é aquele caso em que o parceiro ou a parceira duvidam de algo, e o outro diz: "você tá louca (o)?!?", nos induzindo a distorcer o que vimos.
O filme é contundente. O filme aborda também reflexões sobre o alcoolismo e o quanto nossa percepção fica "nublada" quando bebemos além da conta. Na verdade, o alcoolismo do personagem é uma consequência direta do abusa psicológico do parceiro. O final, apesar de "ficar tudo ok", não nos trás aquela sensação de alívio. Muito pelo contrário: fica aquele gosto amargo de ser algo tão comum ainda hoje no ser humano. Triste.
Um filme para curtir, ter medo e nos fazer refletir. Nora dez!
RR






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