TRÊS REIS, 1999



Três Reis é um dos filmes de guerra mais divertidos que eu já vi. O longa tem uma abordagem mais leve, em tom de comédia, que o diferencia de outras produções do gênero. 

TROY, GATES E CHEF

David O. Russel é um diretor de poucos, mas de filmes muito significativos. Além de Três Reis, ele dirigiu O Lado Bom da Vida, Trapaça e O Vencedor. Ele costuma repetir atores em suas produções, tendo trabalhado em mais de um filme com Robert De Niro, Mark Whalberg, Christian Bale, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper.


Com o fim da guerra do Golfo e os soldados americanos batendo em retirada, uma divisão encontra uma pista de onde pode estar o tesouro que Saddam Hussein roubou do Kuwait. De posse de uma mapa retirado da bunda de um soldado iraquiano ( é isso mesmo que você leu ), quatro soldados se unem para roubar do ladrão, digamos assim. Como não há nada para fazer, eles resolvem procurar o tesouro. 


Archie Gates ( George Clooney ), Troy Barlow ( Mark Whalberg ), Chef Elgin ( Ice Cube ) e Conrad Vig ( Spike Jonzie ) partem numa busca nas areias do deserto no intuito de obter êxito em sua empreitada. Escoltados  pela jornalista Adriana Cruz ( Nora Dunn ) que está interessada na história do tesouro do Kuwait, eles usam o atrapalhado soldado Walter Wogaman ( Jamie Kennedy ) para despistá-la. A repórter se revolta, pois foi ela quem levou a história a Archie Gates.


No meio do caminho, os quatro acabam se envolvendo com rebeldes contra Saddam, que estão sendo dizimados pelos soldados que restaram. Mesmo derrotados, eles não enfrentam os americanos, mas dominam os pequenos vilarejos, assassinando rebeldes e incendiando casas. Amir Abdullah ( Cliff Curtis ), que tem sua esposa assassinada, ajuda os americanos a se esconderem. 


O filme tem cenas excelentes e muito divertidas. A química entre os quatro atores está muito afiada. Com um roteiro ágil e com diálogos marcantes, os quatro carregam o filme nas costas. Enveredando para o lado da comédia, o roteiro tem boas cenas de suspense e muito nervosismo com o desenrolar da história. Existe ainda o aspecto político da guerra, abordado de forma muito explícita no filme em diálogos ( "Bush pediu para o povo se levantar contra Saddam. O povo, achando que seria defendido pelos americanos, o fez, e agora estão sozinhos" ) precisos e em imagens de apoiadores de Saddam, impedindo a chegada de comida no vilarejo. 


No fim de tudo, percebemos que a guerra move dinheiro e legaliza assassinatos em países menores, que não tem poder de reação a altura de ataques. No fim, descobrimos que a ajuda humanitária de comidas, é barrada pelos soldados, afim de matarem de fome quem se posicionava  contra o regime de Saddam. Mas é no fim do filme, bem no fim mesmo, que descobrimos que isso acontece há anos e anos, com tantas pessoas sendo favorecidas pela guerra, que os pobres é que sofrem com tudo isso. E nós não fazemos nada.


RR













































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