JIM CARREY - PARTE FINAL




No ano de 2004, Jim Carrey admitiu sofrer de depressão e que estava aprendendo a lidar coma doença. Atualmente, ela atinge cerca de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro. Temos casos clássicos de atores ou músicos que não conseguiram lidar com a doença e acabaram por darem um ponto final em suas vidas. Seja de forma acidental ou não. O bacana de Carrey conversar sobre isso é que mostra, além do lado humano do ator,  que ser comediante e viver rindo não quer dizer absolutamente nada. 



Em 2015, sua ex-namorada Cathriona White cometeu suicídio. Sofrendo de depressão, não conseguiu lidar com a doença. A imagem de Carrey carregando o caixão de Cathriona é de cortar o coração. Devastado, o ator não conseguia esconder a tristeza. Mas o pior ainda estava por vir.



Anos depois, o ex-marido de Cathriona processa Carrey por "perturbar psicologicamente" Cathriona e contaminá-la com doenças sexualmente transmissíveis. Veio a tona uma série de mensagens trocadas por ele e ela. Algo pessoal, como ela explicando a ele que estava contaminada com algo que ele a passou (DST). Ele se defendia dizendo que havia feito exames antes e estaria limpo. Algumas conversas com o psicólogo dela mostraram que Carrey era um homem nervoso e controlador. Já havia jogado um computador na parede por conta de remédios controlados. Em janeiro de 2018 o tribunal decidiu que o caso não iria a julgamento. Carrey alegou que o ex-marido de Cathriona estaria interessado em dinheiro.



Voltando aos filmes, logo após O Mundo de Andy, Carrey rodou O Grinch e Eu, Eu Mesmo e Irene, nesse último voltando a parceria com os irmãos Farrelly que o lançaram em Débi e Lóide. O filme conta a história do pacato policial chamado Charlie Bailegaytes. De tão pacato, muitos o tratam de maneira desrespeitosa, abusando de sua bondade. A esposa o abandonou para ficar com o amante, um negro anão com quem ela teve três filhos, deixando com Carrey. Triste, decide criar os meninos ele mesmo. Com o passar do tempo, ele adquiriu uma espécie de dupla personalidade, que, se não for controlada, pode causar muitas confusões. A história ainda piora quando seu superior o pede para acompanhar uma mulher (Reneé Zelwegger) vítima de seu ex-marido, um mafioso. O filme é um deleite politicamente incorreto. Não sei como lidariam com ele hoje em dia. E o papel caiu como uma luva pra ele, com tantas personalidades divertidas.



Em seguida, fez o confuso Cine Majestic, de Frank Darabont. É um bom filme, mas faltou a Darabont uma obra de Stephen King, que permeou praticamente toda a sua obra. Com o sucesso seguinte, O Todo Poderoso e Desventuras em Série, vem mais um projeto ambicioso de Carrey: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, de Michael Gondry e com roteiro de Charlie Kaufman. Com um baixo orçamento (20 milhões) o diretor se cercou de atores competentes para abrilhantar mais ainda nossos olhos. O filme é não linear e tem uma discussão sobre o amor, passado e memória. A atuação de Kate Winslet está sublime. O filme ganhou o Oscar na categoria de roteiro e Winslet, indicada, não levou. Aclamado pela crítica, é um filme algumas vezes confuso, pelas suas idas e voltas no tempo, mas, por fim, acaba se encaixando.



A partir daí, ele fez o mediano Número 23, de Joel Schumacher e o excelente Sim Senhor! de Peyton Reed. No filme ele faz Carl Allen, um cara que dificilmente arrisca algo na vida. Sempre negando todas as oportunidades oferecidas, ele vive em sua zona de conforto. Um dia resolve participar de uma palestra motivacional em que é aplicado a regra de dizer sim a tudo. No começo, as portas se abrem e a vida dele muda. Mas, com o decorrer da história, ele percebe que não é bem assim. O filme tem cenas hilárias e conta com a participação da excelente Zooey Deschanel, além de Bradley Cooper e grande elenco.



Quero dar destaque para a continuação de Kick Ass em que ele interpreta o coronel Kurt Stars. A única desculpa pra você não conhecer o primeiro Kick Ass é você ter estado em COMA nos últimos anos. O segundo filme segue a mesma linha do primeiro: um adolescente comum cansado da violência exacerbada da sua cidade, resolve cometer o absurdo de se vestir como super herói pra combater o mal. Parece piada, mas é isso mesmo. Jim Carrey aparece como o cara que o ajuda a formar uma equipe de pessoas que sofreram algum tipo de violência. Dirigido por Jeff Waldlow, é um filme para ver com a mente aberta. Os absurdos que saltam a tela, provocam risadas descontroladas. Veja o primeiro e depois assista esse, por favor.



Na última semana, fomos pegos de surpresa com a notícia de Carrey no filme do Sonic. Ele é o vilão Robotnik no longa. O trailer o mostra roubando acena, como de costume. Sigo torcendo pela saúde dele e que nada nos atrapalhe de vê-lo trabalhando até quando puder. Sua importância para o cinema está em pé de igualdade com qualquer ator consagrado que você imaginar. Seja no campo da interpretação ou no campo do lado humano do artista.

RR



Link da primeira parte abaixo










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