A LISTA DE SCHINDLER VS O PIANISTA
Estou obrigando meu filho Leonardo a ver filmes que eu, ou a crítica, consideramos um clássico. Revi antes de ontem, A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Sem dúvidas é um filme belíssimo. A fotografia em preto e branco dá um sensação de seriedade, e compromisso histórico. Não perdeu a força desde a última vez que eu vi, sendo ainda um clássico do mais alto gabarito. No dia seguinte, lembrei do filme O Pianista, de Roman Polanski, também envolvendo a temática nazista, com campos de concentração e todo o desfile de incredulidades da época. Considero um clássico, tal qual o filme do Spielberg. Vamos traçar alguns pontos dos filmes, fazendo uma leve comparação?
O épico de guerra de Steven Spielberg estreou em 1993. Apesar de eu achar que seu amadurecimento veio com o genial Amistad, de 1997, esse longa já mostrava um Spielberg contundente, mostrando os horrores da segunda guerra mundial. O diretor se cercou de atores até então não muito conhecidos do público para dar uma valorizada na história. Apesar de Liam Neeson interpretar Oskar Schindler, ele não tinha a visibilidade que tem hoje. Havia feito alguns bons filmes, mas nenhum de destaque. O único consagrado ali era Ben Kingsley, que arrebentou como o ajudante judeu de Schindler.
O filme conta a história real do empresário alemão Oskar Schindler, que usa os horrores da guerra para faturar um dinheiro. Algo bastante comum nas guerras, diga-se de passagem. Usando mão de obra judia, ele repassa o dinheiro ao exército alemão. Com o custo baixo de funcionários, ele aproveita para ficar milionário com mão de obra escrava, por assim dizer. Mesmo escravizados, os "judeus de Schindler" consideram a fábrica um refúgio, um abrigo em que eles poderiam, tecnicamente, trabalhar em paz. Eis que surge o alemão Amon Goeth, interpretado pelo magnífico Ralph Fiennes. Seu alemão entrou para os anais do cinema, pela sua interpretação crua, sem vaidades, se mostrando um gordo, bêbado, mulherengo e muito cruel com os judeus.
Com o desenrolar do filme ( cerca de três horas e quinze minutos ) vamos vendo a mudança em todos os personagens. Em Schindler, depois de presenciar as crueldades nos campos de concentração, começa a acusar um imenso sentimento de culpa, até natural devido a exploração dos judeus. Em Goeth, que simpatiza com o fanfarrão Schindler, sempre cercado de mulheres e bebidas, mas apaixona-se pela sua empregada vivida pela atriz Embeth Davidtz. Como os judeus eram considerados sub humano, ele se pune e a pune por esse sentimento. E ao fantástico Ben Kingsley e seu empático Itzhak Stern. Enxergando um Schindler menos humano no começo, começa a perceber que o fim está próximo e não há muito o que se fazer.
Positivo: a fotografia em preto e branco, belíssima, dá um ar de clássico. A direção de Spielberg está firme, com alguns planos sequência, que demonstra a já conhecida habilidade do diretor. As cenas cruas, em que se banaliza a vida humana são chocantes. Eu ainda não havia visto filmes de Spielberg com essa brutalidade impactante. Talvez seja isso que mais me chocou. O cara que dirigiu E.T. e a série Indiana Jones, não faria um filme contundente desses. Ledo engano, graças a Deus.
Negativo: a longa duração ( três horas e quinze minutos ) torna o filme um pouco cansativo, apesar de ser uma história muito rica e com muitos pontos a serem mencionados. O final meio piegas em que Schindler se questiona sobre quantos judeus ele poderia ter salvo se não tivesse desperdiçado dinheiro com bebidas e mulheres.
NEESON E SPIELBERG
Mesmo com esses pontos negativos, o filme é obrigatório pra quem aprecia história mundial. O longa foi indicado a doze Oscar e levou sete. Foi vencedor em direção, filme, roteiro adaptado, trilha sonora, montagem, fotografia e direção de arte.
O Pianista, de 2002 é um filme do diretor Roman Polanski. Sem filmar desde o fraco O Último Portal, de 1999, o diretor tentava um ponto alto em sua carreira, já que há muito tempo não fazia um sucesso de bilheteria ou de crítica. Pra ser mais específico, desde Chinatown, de 1974. Dessa vez, ele estava fazendo um filme em que tinha conhecimento de causa, já que sua família de poloneses sofreu com os horrores da segunda guerra. Sua mãe, inclusive, morreu no campo de concentração em Auschwitz.
O filme de Polanski é mais cru. Com a fotografia natural, em cores, o diretor desfila sem pudores, todas as mazelas e maldades vividas nessa época da história. A diferença entre esse filme o o do Spielberg, é que no longa de Polanski, tudo é mais observado pela ótica dos judeus e dos prisioneiros. Há uma visão por parte dos guardas, mas uma visão nossa, de quem sofreu. Vemos uma ruindade sem fim. Um sentimento de ódio por toda uma raça. O desdém pela vida, pelo básico no tratamento humano.
O filme conta a história de Wladislaw Szpilman ( Adrien Brody ), um pianista polonês. Um músico promissor, vê sua vida se esvair diante de seus olhos com a ocupação nazista na sua cidade. O longa relata o início de tudo, em 1939, quando a ocupação estava acontecendo de maneira gradual. Os poloneses e judeus foram sendo mudados de local em local, até serem encarcerados nos campos criados pelos nazistas. Um espaço mínimo para cerca de 500 mil judeus. Interessante a cena em que sua família está lendo os jornais que estavam os orientando a usar uma estrela de David no braço direito, com as medidas e cores especificadas. E tudo isso sairia do bolso dos próprios judeus.
Adrien Brody está soberbo como Szpilman. Sua interpretação, muitas vezes em silencio, é de uma transparência e veracidade poucas vezes vistas. Merecedor do Oscar, passa a parte final do filme contracenando com si próprio, já que teria que ficar escondido, aguardando a guerra acabar. Um outro destaque é o capitão Wilm Hosenfeld, interpretado pelo ator Thomas Kretschmann. Com uma confiança nas alturas, o ator fica entre a ideologia e a humanidade ao encontrar com Szpilman. Aliás, as cenas protagonizadas pelos dois atores são o ponto alto do filme, apesar de serem poucos minutos.
BRODY E POLANSKI
Positivo: a crueza das mortes, o pouco caso com a vida alheia, mostra exatamente como era tudo naquela época. A cena em que um idoso cadeirante é jogado do terceiro andar é chocante. Os campos de concentração também são muito reais com pequenos personagens afim de dar uma ideia global dos brutais acontecimentos. A emoção na hora de se separar da família é um ponto alto. Seus momentos em casa, quando não pode fazer barulho, é bastante tenso também.
Negativo: não vi pontos negativos nesse filme.
O filme foi indicado para sete Oscar, levando melhor ator ( Brody ), melhor diretor e melhor roteiro adaptado.
RR











Sem chance de escolher entre os dois! Por favor, não me obrigue!!! 😊
ResponderExcluirP.S.》Discordo do "piegas" no Schindler!
Isso aconteceu de verdade!
O Schindler real se lamentou mesmo, mas pq viu seu próprio relógio de Ouro em seu punho!
Ele imaginou que "compraria" mais fugas se tivesse lembrado de vendê-lo!
Achei bonito!
Tlz eu é que seja Piegas!!!
😜
Você É piegas, mas isso não quer dizer nada....ahahahah
Excluir😂😂😂👏👏👏
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