SEVEN, OS SETE CRIMES CAPITAIS, 1995




"Como posso pôr um filho num mundo como esse?"

Dizem que Jogos Mortais, de 2004, seria o Seven, com imagens, digamos, mais claras. Uma coisa mais crua. Não concordo. Muitas vezes o horror ou o suspense não precisa ser nítido. Não que ele sendo, seja menos ou mais impactante. Depende da mão do diretor, do editor e etc. Lembro de algo que li sobre o mestre do suspense Alfred Hitchcock em que estava na cozinha, enquanto sua mulher colocava um suflê para assar. Ao colocar o alimento no forno e fechar a porta, o diretor ficou muito nervoso e disse: "O que está acontecendo lá dentro"? Não dava pra ver devido ao vidro escuro. Isso o aterrorizava. Não saber o que estava acontecendo era um grande suspense pra ele. Foi um dos ensinamentos que ele levou para os filmes e que vejo aqui no filme de David Fincher.  Os crimes são narrados e imaginados. Não há nada explícito. Como fica a cargo da nossa imaginação, colocamos nossas emoções lá em cima.



Fincher fez um suspense quase  noir, com o tempo quase sempre nublado ou chuvoso. Não há espaço aqui para pôr do sol ou um verão escaldante. Tudo em Seven remete ao sombrio, ao carregado, ao incomum. Como pegar um assassino que não se sabe quem é? Que não se faz ideia de quem seja, como age, nada, zero.



O filme conta a história do detetive David Mills (Brad Pitt), recém saído da divisão de homicídios, querendo mostrar serviço. O seu parceiro, Detetive Somerset (Morgan Freeman, excelente) muito a contragosto, assume um caso , no mínimo curioso: um serial Killer que mata suas vítimas baseado nos sete pecados capitais. Como está pra se aposentar, o detetive reluta em pegar o caso, pois seria muito longo. Incentivado pelo seu parceiro,  acaba aceitando a empreitada. 

Apesar do elenco contar com Gwineth Paltrow e John C. McGinley, o filme conta com uma sintonia muito grande de Pitt e Freeman. No início relutante em confiar no parceiro, aos poucos vai se soltando e ficando mais confortável. E temos Kevin Spacey como John Doe, um dos maiores vilões da história do cinema.

Até então não muito conhecido, Spacey cai como uma luva como o homem que vai trazer a justiça de deus pelas suas mãos. A frieza com que ele trata os detetives, desdenhando da inteligência deles, é um primor. Debochado ao extremo, temos um vilão que não tem nada a perder. 



"É normal o homem ter prazer com seu trabalho. Não vou negar meu desejo pessoal de virar cada pecado contra o pecador". - John Doe



Os crimes são muito bem orquestrados pelo assassino. Ele cuidadosamente limpa a cena do crime, e vai deixando pistas que poucos veriam. O cuidado dele é tão grande que ele retira suas digitais com uma gilete. O personagem é doente. O primeiro crime, mostra um homem obeso algemado, de cuecas, com um prato a frente dele. De baixo da sua cadeira, vemos um balde com restos de comidas de alguns dias, possivelmente. O assassino obrigava o homem a comer. Quando esse já não aguentava, ele era obrigado a vomitar no balde, para continuar comendo, até o estômago estourar. Gula. E esse é só o primeiro.

Ou seja, se não viu o filme, veja. Se já viu, reveja. Item mais que obrigatório.

RR




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