PAPÉIS QUE DEVERIAM LEVAR O OSCAR (mas não levaram)

DONNIE BRASCO, 1997



Obviamente não faço parte do cast que escolhe quem vai disputar o prêmio máximo do cinema: o Oscar. Nem tenho talento pra isso. Mas acontece de vez em quando de eu ver um filme e a atuação de alguém ter um destaque. Quando vou ver, o cara foi completamente ignorado pela academia. Poderia citar vários, mas vou começar pelo maior absurdo que eu lembro: "Donnie Brasco", de Mike Newell, de 1997. Na verdade, o filme não foi completamente ignorado pela academia. Concorreu ao Oscar de melhor roteiro adaptado. Mas eles ignoraram um dos melhores trabalhos do ator Al Pacino: o ganster Benjamin Ruggiero. E não só ignoraram o ator. Ignoraram o filme!! Um puta filme de mafia / gangster. Vamos voltar um pouco para 1998, e fazer uma rápida comparação com os outros filmes e atores que concorriam naquele ano.

Os filmes que concorreram naquela edição foram: Titanic, Melhor é Impossível, Ou Tudo ou Nada, LA confidential (O MELHOR DAQUELE ANO PRA MIM) e Gênio Indomável. Cara, só acho que ele perca para Melhor é Impossível e LA confidential. Entraria na vaga dos outros mole e disputaria pau a pau. O vencedor foi Titanic, óbvio. E os atores? Lembrando que o personagem de Pacino é um personagem coadjuvante. Robin Williams, Greg Kinnear, Robert Forster, Burt Reynolds e Anthony Hopkins. O vencedor da noite foi Robin Williams, QUE NÃO ATUOU MELHOR QUE AL PACINO. Ou seja, não entendo de porra nenhuma. Mas vamos voltar a atuação de Al Pacino, que é o que interessa.

O filme conta a história real de Joe Pistone / Donnie Brasco ( Johhny Depp ), um policial que se infiltra na máfia local, tendo como padrinho o personagem de Al, Benjamin Ruggiero. Diferentemente de outros filmes em que ele sempre interpreta o chefão, nesse ele interpreta um personagem abaixo de todas as escalas de comando da máfia. Depois de várias oportunidades perdidas quando jovem, não subiu na hierarquia de patentes, digamos assim. Ele era um soldado. E nada respeitado pelos companheiros. Ele começa desfilando seu talento logo no início, quando conhece Donnie. O diálogo é sublime, com  pitadas de humor e deboche por parte do personagem de Depp, muito bem interpretado, por sinal. Uma outra cena que gosto muito é quando ele vai apresentar Donnie aos outros companheiros. Ao chegar o chefão, o olhar dele ganha outra brilho. Um ator não precisa nem abrir a boca pra mostrar seu talento. Ele faz isso só no olhar. Só essa cena, de três segundos já bastaria para ele levar a estatueta pra casa. Todas as cenas em que ele atua com Donnie, são boas. Tanto de humor, quanto de suspense.



Outro destaque é para o restante do elenco. Michael Madsen ( Sonny Black ) e Bruno Kirby ( Nicholas Santora ) e James Russo ( John Cersani )

O filme é um desfile de ótimas cenas. Tenho que citar a cena em que eles vão a um restaurante japonês e é solicitado a todos que tirem os sapatos. Todos tiram, menos Donnie, pois ele guardava um gravador dentro da bota. O que se segue é um espancamento no melhor estilo da máfia ( vídeo abaixo ). Ou a cena em que Ruggiero ganha um tigre de presente e fica sem saber o que fazer com o animal. 

No decorrer do filme, percebemos o quanto os personagens de Al e Johnny estão conectados. E o dilema é justamente esse: entregar o amigo ou não entregar? Apesar de todos os crimes cometidos pelo personagem, o lado humano fica a flor da pele. O final, surpreendente, coroa essa pequena obra prima. Máximo respeito. 


Uma curiosidade: o verdadeiro Donnie Brasco fez uma ponta no filme, como um dos seguranças dos mafiosos, mesmo tendo um prêmio pela sua cabeça até a época do lançamento do filme. Nesse mesmo ano, representantes da máfia negaram ter qualquer prêmio pela sua vida e disseram que se quisessem matar Donnie, saberiam exatamente onde ele estaria: no set de filmagem. 

Item obrigatório. 

RR



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