MAGNÓLIA, 1999
"Nós até podemos esquecer do passado, mas o passado não esqueceu de nós"
Magnólia, de 1999, é um filme fantástico. Um filme que mexe com nossas emoções, com sentimentos diversos. É drama. Reluto em assistir, mas quando assisto, gosto. Acredito que os dramas tem histórias mais bem construídas. Antes de começar a resenha, quero dar um spoiler, se me permitem. Não é nada demais, mas é algo fora do normal que acontece no filme. Aliás, nunca vi esse fato em nenhum outro filme. Em algum momento da película, existe uma chuva de sapos. É isso mesmo que você leu. Uma chuva de sapos!
Paul Thomas Anderson, diretor e roteirista de Magnólia gosta de histórias intimistas. Gosta de lapidar o ser humano. Com seus personagens, vai do céu ao inferno. Não existe um personagem criado por ele que não seja amoral. Seu segundo filme, Boogie Nights, ilustra muito bem isso. Fala sobre a indústria pornográfica na década de setenta. Nesse filme em particular, o diretor ressuscitou o ator Burt Reynolds, que foi indicado ao Oscar. Em Magnólia, ele não ressuscita ninguém. Ele legitima o trabalho de Tom Cruise como um dos grandes atores da sua geração.
O filme conta sobre um dia na vida de vários personagens que acabam se entrelaçando. O destino as une de uma forma muito misteriosa e dramática. Sim, é um mega drama. Vamos tentar entender um pouco a história dos personagens.
Tom Cruise é Frank T. J. Mackey, um guru sexual que faz palestras sobre masculinidade. Ele ensina aos homens segredos de como tratar uma mulher. Machista ao extremo, o ator causa riso forçado em cada frase do guru. Beira o absurdo. Ele é filho de Earl.
Jason Robards é Earl Patridge, um milionário a beira da morte sob os cuidados de um enfermeiro. Com pouco tempo de vida, o homem pede um favor ao enfermeiro para que procure seu filho, que ele não vê há anos.
Juliane Moore é Linda Patridge, esposa de Earl. Casada por interesse, agora, vendo o marido a beira da morte, entende que o ama de verdade. Como a doença é irreversível, se entope de remédios para aplacar a dor da futura perda.
John C. Reilly é Jim Kurring, um policial que atende um chamado em um prédio sobre perturbação da ordem. Lá, ele conhece e se apaixona por uma viciada em drogas.
Melora Walters é Claudia Wilson Gator, filha de um famoso apresentador de TV, que hoje se encontra na condição de viciada em drogas. Alega ter sofrido abuso sexual na infância por parte do pai.
Philip Baker Hall é Jimmy Gator, é um famoso apresentador de um programa muito popular nos EUA. Ele é pai de Claudia.
William H. Macy é Donnie Smith. quando criança, foi vencedor do programa apresentado por Jimmy. Homossexual, deseja colocar aparelho para conquistar um garçom. O melhor personagem do filme.
Philip Seymour Hoffman é Phil Parma, o enfermeiro, que fica incumbido de encontrar o filho perdido de Earl.
Já vi alguns filmes que existe uma sintonia grande de elenco. Não me recordo de nenhum para comparar com esse. A sintonia aqui é grande. As atuações parecem aquela coisa de teatro, sabe? Em que estamos próximos da história e nos compadecemos do sofrimento alheio. Em diversos momentos, os nervos ficam a flor da pele. Seja com o personagem da Juliane Moore, ou com Jason Robards, soberbo. Difícil apontar um único personagem de destaque. Mas, se fosse o caso, o personagem que mais gostei é o de Macy. Inseguro quanto a sua aparência, faz de tudo para seduzir o garçom de uma lanchonete. Macy sempre se destaca nos filmes de Anderson. Em Boogie Nights, ele faz o marido traído pela atriz pornô. Tom Cruise, indicado ao Oscar, também está sublime. Seu Frank, dizem, não deveria ter sido difícil pra ele fazer, pois retrata como o ator é, sempre. Maldades a parte, o filme nos entrega atuações espetaculares e inesquecíveis.
Vale muito a pena, por vários fatores. Seja pelos atores, pela fotografia, pela edição, por tudo. Mais que obrigatório!
RR











Não vi!!!! Já está na lista.
ResponderExcluirVeja! ;)
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