ESTRADA SEM LEI, 2019




Meu sobrinho João Pedro me indicou um filme. Pelo menos é um filme novo, então quem está de saco cheio dos meus flashbacks, vai ficar aliviado. Ao mesmo tempo que gostei da indicação, fiquei meio receoso por ser sobre uma história que já vi antes, Bonnie & Clyde, Uma Rajada de Balas, de 1967. A diferença do filme de Arthur Penn e o de John Lee Hancock é o foco das histórias. O primeiro, de 1967, foca na dupla Bonnie & Clyde de uma maneira romântica, que nessa época eram tratados como celebridades. Um tratamento completamente equivocado, já que se tratavam de assaltantes de banco e assassinos, tanto de policias, como de civis. Enquanto o segundo conta a história de quem os caçou.

Bonnie e Clyde

Estrada sem Lei, de 2019, uma produção Netflix dirigida por John Lee Hancock, trás Frank Hamer (Kevin Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson) como dois patrulheiros do Texas aposentados. Sentindo o peso da idade, ambos levam uma vida completamente diferente da que levavam. Enquanto o primeiro se encontra casado, o segundo cuida do neto, na ausência da filha. Com a crescente onda de violência protagonizado pela dupla, e a ineficiência do estado e do FBI em efetuar a prisão, a governadora Ma Ferguson decide retirar da aposentadoria Frank. Com carta branca total, ele convoca seu amigo Maney.

Gault e Hamer

É um road movie, ok? Não é um filme muito ágil, mas é uma história muito coesa, sem furos, digamos assim. Uma interessante abordagem do filme é do lado humano dos pistoleiros, visto como assassinos, mas na verdade, cumpriam ordens. Também mostra os dois personagens numa discussão entre quem merece ou não morrer. A ideia não era fazer prisioneiros, era execução mesmo. No decorrer do filme, há esse debate. Mesmo a dupla não tendo piedade, porque teríamos? Quem merece ou não viver?



A dupla não aparece muito no filme, percebemos a ação deles com câmeras ao longe, ou por meio de notícias de jornal. Ou em diálogos.  Interpelado por alguém que diz que a dupla seria uma espécie de Robin Hood, o policial rebate, perguntando: "Por acaso Robin Hood já deu um tiro na cara de um policial? Ou matou inocentes para escapar de assaltos"? Por mais que a mídia os pusessem como assassinos e ladrões, parte da população os admirava, inclusive imitavam suas roupas e trejeitos. A ousadia de Clyde Barrow era tanta que ele chegou a escrever uma carta a Henry Ford, o então presidente da indústria de automóveis, elogiando o mais novo lançamento.

Tulsa - Oklahoma
10 de abril

Sr. Henry Ford
Detroit - Michigan

Enquanto ainda tenho ar em meus pulmões, escrevo para dizer, que carro elegante o senhor construiu. Tenho dirigido exclusivamente Fords, quando consigo roubar um. Para manter a velocidade e a liberdade longe de problemas, o Ford deixa os outros carros para trás e, embora meu trabalho não seja estritamente legal, não ofendo ninguém ao dizer que magnífico veículo é o seu V8.
Sinceramente seu,
Clyde Chestnut Barrow.
(fonte wikipédia)

O final do filme não poderia ser outro. Numa cena tão chocante quanto a do filme de 1967  ( apenas menos romantizada) o casal é crivado de balas numa emboscada feita pelo policial com ajuda do xerife local, em Louisiana. 

RR


Comentários

  1. Vi e gostei muito.
    Também com dois "monstros", fica fácil....

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  2. Deve ser interessante!

    Até pq é da natureza humana romantizar Foras da Lei, e torcer por eles!

    Alguns exemplos disso são:

    Os Fictícios The Godfather, The Good Fellas, Reservoir Dogs (Cães de Aluguel)
    e Pulp Fiction
    (Não é perseguição ao Tarantino 😝)

    E os Reais Billy The Kid, Al Capone e até mesmo
    Jesse James, o Confederado mimado, que ficou putinho pq perdeu a Guerra Civil e montou uma Quadrilha só de Birra!

    Esse tem até musica homenageando!

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    Respostas
    1. Isso mesmo! Acabamos por torcer por personagens "tortos", digamos assim.

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