A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA, 1998


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Maluco, esse é o filme que tem a cena de assassinato mais chocante que eu já vi. Vi muitos filmes ao longo da minha vida, mas essa cena me choca muuuito. É bem filmada, bem representada, há um ódio na medida certa, sem ser forçado. Uma atuação digna das maiores e melhores do cinema. Um dos filmes mais brilhantes que já vi. Enfim, o filme é American History X ( A outra história Americana, de 1998). Dirigido por Tony Kaye, conta a história de uma família, até então liderada por uma pai racista, que influencia seu filho mais velho, Derek Vinyard. Por uma obra do destino, seu pai, bombeiro, atende uma ocorrência num bairro negro e acaba assassinado. Após a morte de seu pai, Derek torna-se ainda mais radical e passa a ter como mentor um homem chamado Cameron Alexander (Stacy Keach), um fanático com idéias racistas. Após a morte do pai, seu irmão Danny ( Edward Furlong ) passa a ter Derek como uma influência paterna. Um dia, tarde da noite, Danny percebe uma movimentação no quintal e acorda seu irmão. Ele flagra três homens negros tentando roubar o carro de seu falecido pai. Aí meu povo, é que dá ruim pra ele. Após o assassinato BRUTAL dos homens, ele é preso. 

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O filme vai e volta no tempo. O tempo atual é feito em colorido, de forma que o passado é retratado num belíssimo preto e branco. Na sua estadia na cadeia, Derek acaba conhecendo um negro chamado Lamont ( Guy Torry, EXCELENTE ) e se vê obrigado a uma convivência. Encarcerado, ele percebe que os Skinheads que o "protegeriam", fazem negócios com negros, hispânicos e qualquer ordem de etnia, até pela sobrevivência na cadeia. Decepcionado, ele cria uma desavença com os Neo Nazistas e acaba sofrendo o pão que o diabo amassou. 



Enquanto lá fora, seu irmão Danny acaba por seguir seus passos. O único que tenta enfiar um pouco de juízo na cabeça dele é o diretor da escola Bob Sweeney (Avery Brooks), que tentou, em vão, retirar os mesmos ideais da cabeça do irmão, hoje preso. É isso.

Com um elenco de primeira linha, tanto os principais, como o de apoio, o filme segue numa linha reta, sem muitas firulas. A discussão em torno do tema racismo está em toda parte da película, indo ou voltando no tempo. Seja Derek mais jovem lembrando das conversas com seu pai Dennis (William Russ), ou depois com o atual namorado da mãe Murray ( Elliot Gould ), nada racista. Esse tenta influenciar Danny, que reluta muito em assumir um lado. Apesar da admiração pelo irmão, Danny pode ter salvação. Destaque para a mãe, Doris (Beverly D"Angelo), a namorada de Derek Stacey (Fairuza Balk). 

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Não é o tipo de filme que vai ter um final feliz, sabe? Em cada frame, prevemos uma tragédia. Não poderia de ser diferente. Depois de duas horas de filme, presenciamos o final contundente. Não há vitoriosos numa guerra racial. Somente perdedores. 

Vale lembrar que á época das filmagens, o diretor ( que estava fazendo sua estréia ) teve uma briga com Norton, que acabou assumindo a edição do filme. Kaye saiu do estúdio esbravejando que Norton era um "narcisista filho da puta". Depois disso, encarou uma geladeira.

Por esse papel, Norton que também é diretor, foi indicado ao Oscar, no total de três indicações da academia. Item obrigatório.

RR

canal ailton lopes

Comentários

  1. O que mais me pega nesse filme é a reflexão de que o ódio é institucional!

    Só se usa uma capa qualquer pra dar rumo ao que se precisa expurgar!

    Destaco o texto final (Trabalho de História) com citação de Abe Lincoln sobre a Guerra Civil EUA!

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  2. Edward Norton dá aula nesse filme. Sensacional!!!

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